EXCLUSIVO-Trump afetou relações entre Europa e EUA, diz chefe antitruste da UE
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LONDRES (Reuters) - A chefe antitruste da União Europeia disse que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afetou a 'relação de confiança' entre os Estados Unidos e a Europa, e que Bruxelas deve se concentrar em fornecer a previsibilidade e estabilidade que estão faltando em Washington.
Teresa Ribera, a segunda autoridade mais poderosa da Comissão Europeia, depois da presidente Ursula von der Leyen, disse à Reuters que, embora a Europa precise negociar com a Casa Branca e ouvir suas preocupações sobre o comércio, não deve ser forçada a fazer mudanças nas leis que foram aprovadas pelos legisladores.
'Precisamos nos ater aos nossos pontos fortes e princípios', disse ela em uma entrevista em Londres nesta segunda-feira, criticando a abordagem de Trump.
'Precisamos ser flexíveis, mas não podemos negociar direitos humanos, nem vamos negociar sobre a unidade da Europa, e não vamos negociar sobre democracia e valores', afirmou Ribera.
Trump e outros membros de seu governo criticaram a União Europeia por ter regras demais e caracterizaram multas impostas pelo bloco a empresas de tecnologia dos EUA como uma forma de 'taxação'.
Na semana passada, o vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, disse que os 'comissários' da União Europeia estão suprimindo a liberdade de expressão devido às cláusulas da Lei de Serviços Digitais (DSI), que dá poderes à UE em situações emergenciais para restringir temporariamente o acesso a uma plataforma digital ou mecanismo de busca.
Ribera tem o poder de aprovar ou vetar fusões de vários bilhões de euros e também de aplicar multas pesadas a empresas que buscam aumentar seu poder de mercado estrangulando rivais menores. Ela também supervisiona a agenda ambiental da UE e tem a tarefa de mantê-la alinhada com as metas climáticas do bloco para 2030.
As tensões estão aumentando entre Washington e Bruxelas após a decisão de Trump de impor tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio a partir de 12 de março, tarifas recíprocas a partir de abril, e tarifas sobre automóveis, produtos farmacêuticos e chips semicondutores.
Ribera apontou a falta de certeza e previsibilidade dos EUA em comparação à Europa, dizendo que não é isso que as empresas querem a longo prazo.
(Reportagem de George Hay e Foo Yun Chee)
Escrito por Reuters