Milhares homenageiam vítimas dos bombardeios da Otan e protestam contra projeto de Kushner na Sérvia
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BELGRADO (Reuters) - Milhares de pessoas se reuniram em Belgrado nesta segunda-feira para relembrar uma campanha de bombardeios da Otan em 1999 e protestar contra o desenvolvimento de um complexo de luxo por uma empresa de investimentos criada por Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump.
A Sérvia tem assistido a meses de manifestações contra o governo depois que 16 mortes causadas pelo desabamento do teto de uma estação ferroviária provocaram acusações de corrupção e negligência generalizadas.
Os protestos aumentaram para incluir estudantes, professores e agricultores em um grande desafio ao presidente Aleksandar Vucic, um populista no poder há 12 anos como primeiro-ministro ou presidente.
O protesto desta segunda-feira foi convocado por estudantes da Universidade de Belgrado, que têm bloqueado as aulas em suas faculdades desde o início de dezembro e que lideraram os protestos contra o governo nos últimos quatro meses.
Ognjen Pjevac, um estudante de 20 anos, compareceu ao protesto em frente ao antigo quartel-general do Exército, que foi alugado no ano passado para a empresa de investimentos Affinity Partners, sediada nos EUA, pelas autoridades sérvias.
'É o 26º aniversário dos bombardeios da Otan. E protestamos porque esse prédio foi dado a alguém para obter lucro', disse Pjevac. 'Mas eles (os edifícios) devem permanecer aqui, pois é um depoimento da agressão da Otan.'
Os dois edifícios foram danificados durante os bombardeios da Otan na então Iugoslávia, que incluía a Sérvia e Montenegro, para impedir a matança de albaneses étnicos na contrainsurgência policial.
Os edifícios foram projetados pelo arquiteto sérvio Nikola Dobrovic e construídos entre 1957 e 1965. Seu design visa se assemelhar a um cânion do rio Sutjeska no leste da Bósnia, onde uma das principais batalhas da Segunda Guerra Mundial foi travada em 1943.
'Os edifícios deveriam permanecer como monumento cultural protegido', disse Predrag Janjic, de 61 anos, um dos manifestantes, à Reuters.
(Reportagem de Ivana Sekularac)
Escrito por Reuters