Serviços entram em colapso à medida que a USAID corta contratos de saúde em todo o mundo
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Por Jennifer Rigby e Nellie Peyton
LONDRES/JOANESBURGO (Reuters) - Os projetos de saúde financiados pelos EUA em todo o mundo, inclusive os que salvam vidas, receberam de Washington avisos de rescisão nesta quinta-feira, à medida em que o governo do presidente Donald Trump se aproxima da conclusão de uma análise para garantir que os subsídios estejam alinhados com sua política 'America First'.
Trump ordenou uma pausa de 90 dias em toda a ajuda externa em janeiro, aguardando avaliações de como os projetos e se encaixam nessa política externa.
O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afastou as preocupações de que Washington esteja acabando com a ajuda externa, argumentando que foram concedidas isenções para a ajuda que salva vidas.
Apenas algumas semanas depois, o governo decidiu encerrar mais de 90% dos programas em todo o mundo, de acordo com um documento judicial de 25 de fevereiro, incluindo muitos que haviam sido inicialmente cobertos por isenções, caso do trabalho de combate ao HIV, e de programas de saúde mais amplos.
Vários dos maiores programas de HIV/Aids financiados pelos EUA na África do Sul foram informados de que seu financiamento não seria retomado, de acordo com três líderes seniores de organizações de saúde, enquanto uma organização global sem fins lucrativos que trabalha com malária e saúde materna e neonatal teve a maioria de seus contratos cancelados.
A Unaids, a agência das Nações Unidas que combate o HIV e a Aids, teve seu contrato com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) cancelado, segundo documentos analisados pela Reuters.
A Khana, uma organização de HIV e tuberculose no Camboja, também recebeu um aviso de rescisão, de acordo com uma fonte familiarizada com seu trabalho.
Não houve resposta imediata a um pedido de comentário do Departamento de Estado dos EUA.
A Reuters não conseguiu determinar imediatamente quantas organizações em todo o mundo foram afetadas ou quais foram exatamente os critérios para a rescisão.
'O secretário Rubio e o administrador adjunto (Peter) Marocco (da USAID) determinaram que o seu prêmio não está alinhado com as prioridades da agência e determinaram que a continuação desse programa não é de interesse nacional', diz o aviso recebido pelas organizações visto pela Reuters.
A presidente da International Aids Society, Beatriz Grinsztejn, referindo-se aos cortes em todo o mundo, disse que 'os cortes de verbas dos EUA estão desmantelando o sistema'.
'O tratamento do HIV está desmoronando. Os serviços de tuberculose estão entrando em colapso... Vidas estão em risco', acrescentou Grinsztejn. Sua organização não foi diretamente afetada.
Alguns dos programas cortados na África do Sul prestavam serviços de HIV/Aids a grupos vulneráveis, como pessoas LGBT+ e profissionais do sexo.
Outros ofereciam testes de HIV e serviços para a população em geral, disse François Venter, diretor-executivo do Ezintsha Research Centre em Johanesburgo, que não é financiado pela USAID.
A África do Sul tem o maior número de pessoas vivendo com HIV do mundo, cerca de 8 milhões.
'Os programas que receberam suas cartas de encerramento nesta manhã estavam entre os programas de fornecimento de saúde mais eficientes e eficazes do país', disse Venter, classificando os cancelamentos de 'golpe devastador' para a resposta da África do Sul ao HIV.
(Reportagem de Nellie Peyton, em Joanesburgo, e Jennifer Rigby, em Londres; Reportagem adicional de Humeyra Pamuk em Washington)
Escrito por Reuters