Brasil retoma importação de energia da Venezuela após quase 6 anos
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Por Leticia Fucuchima e Rodrigo Viga Gaier
SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Brasil voltou a importar energia elétrica da Venezuela para suprimento de Roraima depois de quase seis anos, em medida que tem por objetivo reduzir custos e diversificar o fornecimento de energia para os consumidores do Estado, que vinham dependendo exclusivamente de geração termelétrica local.
A aprovação final para a operação foi dada nesta terça-feira pela diretoria de Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com aval para pagamentos à comercializadora Bolt Energy, que ficará responsável pela importação.
O governo brasileiro autorizou a Bolt a realizar importações de energia venezuelana a um preço de R$1.096,11 por megawatt-hora (MWh), com validade de janeiro a abril deste ano. Pelas operações, a comercializadora deverá receber um reembolso de R$41,2 milhões com uso de recursos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), principal encargo cobrado na conta de luz.
O reinício da importação visa garantir mais uma fonte de suprimento de energia para Roraima, único Estado do Brasil que não recebe energia da rede elétrica nacional. Desde a interrupção das importações, em 2019, os consumidores de Roraima passaram a depender exclusivamente de geração termelétrica local, com combustível também subsidiado pela CCC.
A análise do governo é que as importações serão mais econômicas e poderão substituir parte da geração local, promovendo uma redução dos custos totais para atendimento elétrico em Roraima.
Segundo boletins do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as importações foram retomadas no último sábado, no limite de 15 megawatts (MW). No dia seguinte, porém, as operações foram interrompidas após um desligamento na linha de transmissão Boa Vista / Santa Elena C1, que conecta o Brasil à Venezuela.
O desligamento da linha levou a um apagão naquele dia em Roraima. Novos boletins do ONS apontam que a carga já foi restabelecida no Estado, bem como a importação da energia da Venezuela.
Uma fonte com conhecimento do assunto afirmou que houve uma 'sobrefrequência' no sistema venezuelano que levou ao desligamento da instalação no fim de semana, e que não seria um problema da linha.
Procurado, o ONS disse que não iria comentar.
Escrito por Reuters