Empresa de sísmica TGS vê 'tremenda oportunidade' na Margem Equatorial brasileira
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Por Marta Nogueira
RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Brasil terá uma 'tremenda oportunidade' de atrair investimentos caso consiga avançar com a exploração de petróleo na Margem Equatorial, disse à Reuters um vice-presidente Executivo Global da TGS, uma das maiores empresas de sísmica do mundo e que detêm o maior volume de dados sobre as estruturas geológicas da região.
Parte da estratégia da companhia listada em Oslo tem sido pesquisar o subsolo de áreas com potencial para descobertas de petróleo, assumindo o risco de investimentos, para depois compartilhar com governos, como forma de fomentar rodadas de licitação de novas áreas para exploração, e comercializá-los com empresas interessadas em investir.
'Gostaríamos muito que a Petrobras conseguisse sua licença de perfuração', disse David Hajovsky, referindo-se aos esforços de anos da petroleira para avançar na exploração da Bacia da Foz do Rio Amazonas, no extremo norte da Margem Equatorial brasileira, em águas ultraprofundas do Amapá, em busca de uma nova descoberta.
'Vemos isso com base no risco que assumimos (com pesquisas sísmicas)... Acho que o Brasil poderia realmente capitalizar muito desse capital estrangeiro que está indo para outros lugares agora.'
Outras petroleiras, como TotalEnergies e BP, já suspenderam planos de explorar a região, diante de dificuldades para avançar com licenças ambientais, e a indústria agora aguarda resultados definitivos das tentativas da Petrobras, para avaliar os próximos passos.
A Foz do Amazonas é considerada a área de maior potencial da Margem Equatorial brasileira, uma vasta região que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá, com grande potencial para novas descobertas, mas imensos desafios socioambientais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende o avanço da exploração, depois de mais de uma década que o Brasil não confirma uma grande descoberta de petróleo, mas alas do governo temem a abertura de novas fronteiras em regiões ambientalmente sensíveis, enquanto líderes mundiais alertam sobre a necessidade da transição energética.
Hajovsky, que lidera as estratégias e iniciativas globais multiclientes da TGS, ponderou que mesmo com ferramentas e dados avançados a que se tem acesso atualmente, a chance de sucesso em poços de exploração de fronteira pode ser ainda 'de uma em quatro, uma em cinco... Então você precisa ser capaz de correr esse risco.'
Apesar da demora na tomada de decisão do país, Hajovsky disse que o Brasil é 'definitivamente' um dos mercados mais importantes para a TGS e aposta no potencial de abertura da Margem Equatorial para investimentos e também da Bacia de Pelotas, no litoral do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
A análise sobre o potencial da Margem Equatorial vem ainda com o sucesso exploratório em áreas análogas na Guiana, onde a Exxon fez descobertas enormes, enquanto Pelotas --para onde a companhia planeja avançar com pesquisas agora -- desperta interesse diante de descobertas feitas em áreas semelhantes na Namíbia, no continente africano.
PRÓXIMOS PASSOS NO BRASIL
Nesse cenário, o Brasil deverá abocanhar 'uma boa parte' dos aportes de US$425 milhões a US$475 milhões que a TGS planeja realizar ao redor do mundo na obtenção de novos dados sísmicos em 2025, segundo o executivo, que evitou dar o valor exato destinado ao país.
'O Brasil tem um futuro brilhante, quanto mais rápido as coisas puderem se abrir', frisou Hajovsky.
A TGS tem um total de sete navios sísmicos que portam equipamentos capazes de captar reflexões das ondas sonoras emitidas para mapear o subsolo marinho, sendo que um deles está operando no Brasil, na Bacia do Pará Maranhão, também na Margem Equatorial.
'Esperamos trazer mais dois ou três navios ao longo do ano e continuar trabalhando no Brasil. Queremos manter o nível de atividade alto em 2025, 2026 e 2027', disse o executivo.
Atualmente, a empresa aguarda duas licenças para sísmicas na Bacia de Pelotas, uma ao norte e outra ao sul da bacia, além de ter expectativas para projetos nas bacias de Campos e Santos, segundo o presidente da TGS no Brasil, João Correa. Em Campos e Santos há tanto atividades exploratórias, quanto um grande trabalho de revitalização de campos maduros em busca de aumento do fator de recuperação.
Hajovsky destacou que parte do trabalho da TGS tem sido reduzir risco em áreas ainda com pouco conhecimento geológico, em momento em que 'todo mundo está falando sobre disciplina de custos, disciplina de capital'.
Para ele, o maior risco de investimento no Brasil provavelmente é o tempo que tem levado para a obtenção de licenças.
(Por Marta Nogueira)
Escrito por Reuters