Espanha promete cumprir meta de 2% de gastos com defesa bem antes de 2029
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Por Sergio Goncalves
LISBOA (Reuters) - A Espanha aumentará seus gastos com defesa para 2% do produto interno bruto bem antes da meta original de 2029, mas não está estabelecendo novos prazos específicos, disse a ministra da Defesa do país, Margarita Robles, nesta terça-feira.
Entre os 32 membros da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a Espanha tem o menor gasto com defesa em relação à sua produção econômica, com apenas 1,3%. Para atingir a meta de 2% da aliança, seria necessário gastar cerca de 10 bilhões de euros adicionais por ano.
Na semana passada, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse em um discurso em Varsóvia que a Espanha agora esperava atingir a meta de 2% até o verão. Isso fez com que o governo espanhol dissesse a Rutte que faria o possível para se aproximar da meta até essa data, de acordo com uma fonte do governo.
'Não se trata tanto de um problema de prazos, mas acredito que com bastante antecedência, antes de 2029, cumpriremos nossas obrigações... Estamos trabalhando nisso de forma séria e rigorosa', disse Robles à margem de um evento em Lisboa.
Seu colega português, Nuno Melo, cujo país gastou 1,55% do PIB em defesa no ano passado, também prometeu mais gastos nos próximos anos para reforçar a produção e a aquisição de equipamentos e tecnologias militares na Europa.
'Reforçaremos os gastos com defesa, garantindo o equilíbrio do orçamento e a preservação dos benefícios sociais', disse Melo. 'Os investidores têm uma oportunidade no setor de defesa em Portugal.'
O chefe da principal associação empresarial da Espanha, a CEOE, Antonio Garamendi, disse que as políticas mais pacifistas da Espanha não deveriam impedi-la de gastar mais em defesa.
'A única maneira de ter paz é prevenir para que não sejamos atacados', disse ele.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, garantiu à aliança que a Espanha fará sua parte nos esforços da Europa para reforçar suas defesas, mas também argumentou que os países localizados geograficamente mais distantes da Rússia deveriam concentrar seus gastos no combate aos ataques cibernéticos em vez de estocar armas.
No entanto, em uma entrevista ao jornal espanhol El Mundo, a chefe de diplomacia da UE, Kaja Kallas, disse: '(Embora) os tanques russos não estejam chegando aos Pirineus, temos que nos manter unidos nessa questão'.
'Todos os europeus ajudaram a Espanha e outros países durante a Covid e agora devemos estar unidos em relação aos gastos militares', disse ela, acrescentando: 'A solidariedade é a nossa maior defesa'.
Em seus comentários na semana passada, Rutte criticou o que chamou de 'uma espécie de Otan de dois níveis', com os países do flanco oriental que estão mais expostos a um possível ataque da Rússia gastando muito mais em defesa do que outros. Rutte acrescentou: 'a diferença entre um ataque com mísseis a Varsóvia ou a Madri é de 10 minutos'.
((Tradução Redação São Paulo))
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Escrito por Reuters