Líder da extrema-direita convoca franceses para protestos contra punição a Marine Le Pen
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Por Gianluca Lo Nostro e Nicolas Delame
PARIS (Reuters) - O chefe do partido de extrema-direita da França, Jordan Bardella, convocou os franceses a se reunirem neste fim de semana para protestar contra uma decisão que proibiu Marine Le Pen de concorrer a cargos públicos por cinco anos, após ter sido considerada culpada de desviar fundos da União Europeia.
A decisão de segunda-feira foi um revés catastrófico para Le Pen, líder de longa data do Reunião Nacional (RN) que estava à frente nas pesquisas de opinião para a eleição presidencial de 2027.
'Hoje, acredito que os franceses devem se indignar e eu lhes digo: fiquem indignados! Fiquem indignados!', declarou Bardella à rádio Europe 1 e à CNews TV sobre uma decisão que os líderes da extrema-direita disseram ser tendenciosa e antidemocrática.
'Sairemos às ruas neste fim de semana. Estamos organizando distribuição de panfletos, mobilizações democráticas, pacíficas e calmas', disse ele, sem dar detalhes.
Bardella pode se tornar o candidato de fato do RN para a eleição de 2027. Mas Le Pen sugeriu que ainda não estava pronta para entregar-lhe o bastão, dizendo na segunda-feira: 'Não vou me deixar ser eliminada assim'. Bardella a apoiou nesta terça-feira.
Ela disse que recorreria o mais rápido possível contra o que descreveu como uma decisão politizada com o objetivo de bloquear sua candidatura presidencial. Le Pen concorreu três vezes à Presidência e havia dito que 2027 seria sua última candidatura ao cargo máximo.
A juíza da audiência de segunda-feira, Bénédicte de Perthuis, afirmou que Le Pen estava 'no centro' de um esquema de desvio de mais de 4 milhões de euros de fundos da União Europeia.
A falta de remorso de Le Pen e de outros acusados foi um dos motivos que levaram o tribunal a proibi-los de concorrer a cargos públicos com efeito imediato, segundo Perthuis.
Ela foi condenada a quatro anos de prisão -- dois anos dos quais suspensos e dois anos a serem cumpridos em prisão domiciliar -- e a uma multa de 100.000 euros, mas essas penas não serão aplicadas até que seus recursos sejam esgotados. As apelações na França podem levar meses ou até anos.
Os réus não foram acusados de embolsar o dinheiro, mas sim de usá-lo ilegalmente para pagar a equipe do partido em seu país, em vez dos assistentes parlamentares da UE. Eles negaram o delito e disseram que o dinheiro foi usado de forma legítima.
PESQUISA DE OPINIÃO
Apesar da indignação da extrema-direita na França, na Europa e em outros países, que se uniram em sua condenação ao que chamaram de excesso judicial, uma pesquisa de opinião mostrou que a maioria dos franceses concordou com a decisão.
Alguns políticos, incluindo o ex-presidente socialista François Hollande, disseram que é importante respeitar a independência do sistema judicial.
Cinquenta e sete por cento dos entrevistados pelos pesquisadores da Elabe disseram que a decisão foi normal, considerando o que Le Pen foi acusada, enquanto 42% consideraram que ela foi politicamente tendenciosa.
A pesquisa, realizada para a BFM TV, também mostrou que 42% dos eleitores estavam satisfeitos com a decisão, 29% estavam insatisfeitos e 29% não se importavam.
O presidente Emmanuel Macron e seu governo minoritário de centro-direita ainda não reagiram oficialmente.
(Reportagem adicional de Sudip Kar-Gupta e Elizabeth Pineau)
Escrito por Reuters