Lula volta a defender pesquisa na Margem Equatorial, mas promete não fazer loucura ambiental
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Por Maria Carolina Marcello
(Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a pesquisa para exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas no Amapá, acrescentando que tem responsabilidade com o meio ambiente e que não permitirá qualquer 'loucura ambiental'.
O presidente disse ainda, em cerimônia de entrega de terras da União para o Estado do Amapá nesta quinta-feira, que incumbiu seu ministro da Casa Civil, Rui Costa, de negociar uma saída com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) -- responsável pelo licenciamento.
'Ninguém, ninguém nesse país tem mais responsabilidade do que eu — climática', disse Lula, no evento. 'Eu quero preservar. Mas eu não posso deixar uma riqueza que a gente não sabe se tem, e quanto é, a 2 mil metros de profundidade, enquanto o Suriname e a Guiana estão ficando ricos às custas do petróleo que tem a 50 km de nós', afirmou o presidente.
Atualmente, a Petrobras aguarda um retorno do Ibama sobre um pedido de reconsideração feito pela companhia em 2023, após o órgão negar uma licença de perfuração na área. O Ibama não tem um prazo específico para responder.
Lula argumentou a Petrobras tem expertise tecnológica para promover a exploração e que não se pode proibir a pesquisa na área para se aferir 'o tamanho da riqueza que a gente tem'.
'Esse moço aqui (dirigindo-se a Rui Costa)... Tem a incumbência de acertar com o Instituto de Meio Ambiente no Brasil que a gente não vai fazer loucura. A Petrobras é a empresa que tem mais tecnologia no mundo de prospecção de petróleo em águas profundas', afirmou.
Na presença de lideranças políticas do Estado -- incluindo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), e seu líder no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP) -- Lula garantiu que o governo vai 'trabalhar muito' e quer assumir o compromisso de ser 'responsável' e tratar do assunto 'com muito carinho'.
'A gente não quer poluir um metro d'água, um milímetro de água', disse, argumentando que o Amapá não pode ser deixado 'pobre' se houver de fato uma reserva de petróleo na região.
'É apenas uma questão de bom senso.'
Na quarta-feira, em entrevista à rádio Diário, de Macapá (AP), Lula afirmou que deve haver uma reunião nesta ou na próxima semana entre a Casa Civil e o Ibama para discutir a autorização para a pesquisa na área. 'Depois se a gente vai explorar é outra discussão. O que não dá é a gente ficar nesse lenga-lenga.'
A declaração provocou reações e críticas ao presidente por parte de órgãos ambientais e de entidades ligadas a servidores do meio ambiente.
Ao voltar ao tema nesta quinta, o presidente minimizou eventuais impactos negativos de uma autorização no mesmo ano em que o país vai sediar a COP30, cúpula da ONU sobre mudanças climáticas em Belém.
'Vê se os Estados unidos estão preocupados. Vê se a França, a Alemanha, a Inglaterra estão preocupados (com o tema). Não. Eles exploram o quanto puder. É a Inglaterra que está aqui na Guiana. É a França que está aqui no Suriname. Então só nós que vamos comer pão com água? Não, a gente também gosta de pão com mortadela. A gente gosta. A gente gosta de coisa boa', disse.
A região do litoral norte do Brasil tem grande potencial para descobertas de petróleo, mas também enormes desafios socioambientais.
A indústria de petróleo tem enfrentado ao longo de anos forte resistência para perfurar a Foz do Amazonas em busca de novas reservas. A área é considerada a de maior potencial para a abertura de uma nova fronteira de petróleo no país, devido à geologia semelhante com a vizinha Guiana, onde a Exxon Mobil está desenvolvendo campos enormes.
'Eu sou favorável e eu sonho que um dia a gente não precise de combustível fóssil. Eu sou favorável. Eu acho que um dia a gente não vai precisar de combustível fóssil. Mas esse dia está longe ainda.'
(Reportagem de Maria Carolina Marcello, em Brasília)
Escrito por Reuters