Ícone seta para a esquerda Veja todas as Notícias.

NITISINONE: O MEDICAMENTO QUE PODE REVOLUCIONAR O COMBATE À MALÁRIA

O FÁRMACO (JÁ APROVADO PELA FDA) PODE TORNAR O SANGUE HUMANO TÓXICO PARA MOSQUITOS

Placeholder - loading - Crédito da imagem: Shutterstock
Crédito da imagem: Shutterstock
Ver comentários

Publicada em  

Pesquisadores de instituições britânicas e americanas anunciaram uma descoberta científica promissora: o uso do medicamento nitisinone pode tornar o sangue humano tóxico para mosquitos, representando um possível avanço na prevenção da malária, doença que ainda mata mais de 600 mil pessoas por ano no mundo.

Imagem de conteúdo da notícia "NITISINONE: O MEDICAMENTO QUE PODE REVOLUCIONAR O COMBATE À MALÁRIA" #1
Toque para aumentar

O que é o nitisinone?

O nitisinone é um medicamento já aprovado pela FDA para tratar doenças genéticas raras, como alkaptonúria e tirosinemia tipo 1. Ele atua bloqueando a enzima HPPD (4-hidroxifenilpiruvato dioxigenase), impedindo o acúmulo de subprodutos tóxicos no organismo humano.

Contudo, pesquisadores descobriram que, ao ser consumido por pessoas que recebem o tratamento, o sangue torna-se letal para mosquitos, especialmente os da espécie Anopheles gambiae, principal vetor da malária na África.

Como o nitisinone mata os mosquitos?

Quando o mosquito ingere sangue com nitisinone, a enzima HPPD também é bloqueada no corpo do inseto, o que impede a digestão do sangue. O resultado? O mosquito perde a capacidade de voar, entra em paralisia e morre em poucas horas.

O estudo revelou que a substância foi eficaz mesmo em concentrações baixas e agiu contra:

Mosquitos de todas as idades, inclusive os mais velhos, mais propensos a transmitir malária

Mosquitos resistentes a inseticidas convencionais

Insetos que sobreviveriam a outras abordagens farmacológicas

Imagem de conteúdo da notícia "NITISINONE: O MEDICAMENTO QUE PODE REVOLUCIONAR O COMBATE À MALÁRIA" #2
Toque para aumentar

Por que o nitisinone é mais promissor que a ivermectina?

A ivermectina já é utilizada em estratégias semelhantes, mas apresenta limitações:

É neurotóxica em altas doses

Tem ação mais curta na corrente sanguínea

Pode afetar outros insetos benéficos ao ecossistema

O nitisinone, por outro lado:

Permanece mais tempo no sangue humano (até 16 dias de eficácia)

Não afeta o sistema nervoso dos mosquitos

Tem menor toxicidade ambiental

Já é utilizado com segurança em recém-nascidos e gestantes para tratar doenças raras

Uma nova estratégia: “vacinar” comunidades inteiras

Embora o nitisinone não proteja diretamente contra a infecção por malária, ele pode reduzir drasticamente a população de mosquitos transmissores, funcionando como uma espécie de "vacina coletiva". Ou seja, a proteção se dá pelo impacto comunitário, quebrando o ciclo de transmissão da doença.

“É como a imunidade de rebanho, mas com base na eliminação do vetor,” explicou Álvaro Acosta Serrano, parasitologista da Liverpool School of Tropical Medicine.

Desafios e próximos passos

Apesar do potencial, o medicamento ainda está em fase de pesquisa. Entre os desafios estão:

Alto custo atual do nitisinone, por ser voltado para doenças raras

Falta de dados sobre impactos ecológicos de longo prazo

Dificuldade em convencer pessoas a tomarem um remédio que não protege diretamente

Especialistas sugerem estratégias como:

Aplicação do nitisinone em gado, agindo como "iscas vivas" para mosquitos

Distribuição combinada com antimaláricos tradicionais

Alternância com ivermectina, onde esta já mostra resistência crescente

De herbicida a arma contra a malária: a história inusitada do nitisinone

O nitisinone foi originalmente desenvolvido como herbicida, inspirado em toxinas da planta australiana bottlebrush. No entanto, mostrou-se eficaz no tratamento de distúrbios humanos ligados ao metabolismo da tirosina. Hoje, pode estar prestes a cumprir uma nova missão: salvar vidas combatendo mosquitos.

Imagem de conteúdo da notícia "NITISINONE: O MEDICAMENTO QUE PODE REVOLUCIONAR O COMBATE À MALÁRIA" #3
Toque para aumentar

Uma promessa com impacto global

A descoberta do potencial do nitisinone como arma contra a malária oferece esperança renovada em um campo onde muitas estratégias têm falhado. Embora ainda em fase de testes, os resultados são promissores — e podem abrir caminho para novas abordagens de saúde pública, com menos impacto ambiental e maior eficácia coletiva.

Fontes:

Independent: Malaria breakthrough as scientists find drug makes human blood deadly to mosquitoes

Science Alert: Drug for rare disease turns human blood into mosquito poison

National Geographic: To fight malaria, scientists want to poison mosquitoes — with human blood

Publicado na revista científica Science Translational Medicine

  1. Home
  2. noticias
  3. nitisinone o medicamento que …

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.